Pequenas reticências…

Archive for Dezembro 2010

semáforo amarelo

que coisa!

mas pra quê pressa pra chegar

o importante é ir devagar

e com calma e sem machucado

voltar

 

semáforo vermelho

que coisa!

o carro para

a vovó atravessa

(o jovenzinho ajuda)

o cachorro também

perdido na rua,

chega bem perto

todos na faixa

para eles: sinal aberto.

 
semáforo verdinho

agora sim,

acelero um pouquinho

o carro desliza

bem mansinho

e quando chego no tio Abreu

que coisa!

descubro: um cachorro fez xixi no pneu.

 

 

 

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E todos fizeram silêncio: o sabiá iria cantar.

Treme, treme
até neva
congela água
chocolate quente
tá tudo frio
até a folha do caderno.
Vem pra dentro
que é inverno!

Cai as flores
cai as folhas
tudo seco
bem sem cor
não chove muito
nem faz calor
folha no chão não tem dono
árvore pelada
é outono!

Sente o cheiro?
É perfume.
Vê as cores?
Elas são muitas.
Sente o amor?
Está em tudo.
Sabe quem era?
A primavera.

Vamos brincar!
Estamos de férias!
Ir pra praia
passar bronzeador
tomar bastante aguá
na nova estação
tá muito calor
chegou o verão!

O menino poeta olha pra Lua
e observa o céu:
estrelas são bens, cometas troféus
bebendo o orvalho que flutua

O menino poeta olha pro Sol
e pensa sem dó:
o Sol lá em cima, tão triste, tão só,
usando as nuvens como lençol.

O menino poeta olha pra cá
e percebe sorrindo:
a vida é tão bela, o céu é tão lindo
cantemos sempre dó ré mi fá.

Catarina disse alto:

— Mãe, cadê meu vestidinho?

— Tá guardado, tá passado

só pegar no armarinho.

 

Catarina pediu logo:

— Mãe, cadê minha lancheira?

— Tá na mesa da cozinha

jogue o resto na lixeira.

 

Catarina até gritou:

— Mãe, não quero tomar banho!

— Catarina, pode ir logo

te faço tudo e nada ganho!

 

Catarina então pensou:

— Que bondosa é mamãezinha!

Fez um embrulho bem charmoso

entregou com uma florzinha.

 

Catarina sussurrou:

— Mãe, cadê o meu abraço?

— Tá aqui, minha filhinha…

Seu vestidinho até amasso.

 

 

Para Dan Mendes Rosa

 

Koba? Você está aí? Ah, que susto! Pensei que tinha ido embora. Tá escuro, né? Pois é. Noite fria. Amanhã é meu aniversário. Vai ter festa na escola. E mamãe vai fazer o bolo. Mamãe disse que não era mais pra conversar com você. Ela acha que você não existe. Não entendo. Estranho, né? Acho que quando a gente cresce a gente não enxerga os amigos de verdade. Você é meu amigo, Koba. Meu melhor amigo. E papai disse que preciso crescer rápido, amadurecer, ele diz. Não sei o que quer dizer, mas sei que se eu for ficar cego quando crescer já não quero mais. Não quero te perder, Koba. Não quero mesmo. Como vou ficar? Sem amigos? Sem você? Você me entende, né? Sei que entende. É o único que me entende.

Ai, Koba, tá frio aqui, né? Vou fechar a janela. Peraí, deixa eu acender a luz. Que chão frio! Essa janela tá meio emperrada. Forçaaaa… Pronto. Para de rir, Koba! Peraí, deixa eu apagar a luz. Nossa, olha como a cama está longe! Como vou andar tudo isso no escuro? Não tinha visto que era tão longe… E agora, Koba? Você vai me ajudar, né? Eu sabia. Você é um grande amigo, Koba. O melhor que eu tenho. Vai me proteger? Fica ali, perto da cama, e não deixa nenhum bicho sair daí. Eu vou apagar e correr. Um. Dois. Três. Pronto. Valeu, Koba! Valeu mesmo.

Ai, Koba, que sono, né? Corri muito hoje na escola. Você acredita que o Murilinho me chamou pra jogar bola com ele? Pensei que ele fosse chato, mas não é. Já o Carlinhos me chamou de bobo. Não gostei não. Minha mãe diz que isso é falta de educação. Eu acho que é falta de amigo. Falta de um amigo como você, Koba. Um bom amigo.

Ai, Koba, tomara que eu não tenha pesadelos, né? E que eu durma rapidinho, porque daí amanhã chega rápido. Meu aniversário! Será que vou crescer muito essa noite? Nossa, Koba, me deu um arrepio agora pensar nisso! Um medo. Tomara que amanhã o Murilinho me chame de novo pra jogar bola. Tomara…

Ai, Koba! Já são mais de onze. Nossa! Quase meia noite. Quase meu aniversário. Falta só três minutos. Meu coração tá disparado. Agora só dois. Parece que já tô sentindo minhas pernas crescerem. Um minuto! Papai disse que já seria homenzinho hoje! Ser homenzinho é amadurecer, Koba? Koba? Koba? Você está aí? Ai, meu Deus! Koba! Eu não quero mais amadurecer! Já tô com saudades de ser criança…