Pequenas reticências…

Archive for Fevereiro 2011

O girassol procura o sol
e a formiga guarda comida
a cigarra faz algazarra
o pinguim sabe a hora da partida

O anu sabe onde é sul
e também onde é norte
O bem-te-vi sabe seu nome
e a galinha qual é a sua sorte

Abelha sabe o que é rosa e o que é violeta
Mariposa sabe que não é mosquito nem borboleta
Nesse mundo todo mundo sabe disso
Sabe de tudo, essa bicharada.
Depois dizem que só porque é bicho
a criatura não sabe de nada.

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Quando nasceu, ela era uma criança qualquer. Logo levaram-na para o primeiro banho, e quando a lavaram viram que sua pele era branca diferente dos índios da tribo, todos de pele vermelha como o urucum.

A menina, chamada de Mani, foi adorada por todos: era risonha, esperta e bonita, nunca chorava.

Mani trouxe paz para a tribo. Pulava de colo em colo, distribuindo pequenos carinhos. Porém, antes de completar um ano, Mani foi levada pelo deus Tupã; Mani morreu. Assim, simplesmente, sem adoecer, sem se ferir, durante a noite.

Enterram seu corpinho claro num jardim. E como Mani fez falta! Tanta falta que todos iam diariamente à sua sepultura chorarem todas as lágrimas que conseguiam derramar. A terra ficava úmida e logo ali cresceu uma planta nunca vista antes.

A tribo descobriu que a raiz dessa planta, marrom como a terra, escondia uma massa branca, como a pele de Mani. Descobriram também que poderiam comer aquela massa, e que isso lhes dava força para as lutas, para os dias sem Mani. Descobriram, enfim, que Mani estava naquela planta de alguma forma. Por isso chamaram a planta de Mandioca, que significava casa de Mani, a menina que todos amavam.

Na infância, somos alimentados por sonhos provindos de histórias. O final sempre feliz, o amor que tudo vence, as maldades do mundo que não devem ser seguidas, o enlace de príncipes valentes e belas princesas provê-nos, no começo da vida, de fantasia.

Não mais no mundo do faz de conta, o dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) tornou-se o mais célebre escritor de literatura infantojuvenil de todos os tempos, o que fez com que seu aniversário de nascimento fosse comemorado como o Dia Internacional do Livro Infantojuvenil e seu nome fosse dado ao mais importante prêmio de livros escritos para os pequeninos.

Estátua da Pequena Sereia em Copenhague, na Dinamarca. Foi esculpida por Edvard Eriksen, em 1913.

Era uma vez um menino com uma vida que não era um conto de fadas. Andersen nasceu pobre e trabalhador, e seus estudos foram garantidos pelos seus dons poéticos. Escreveu de tudo, de peças de teatro a poesias, mas  foram seus contos que fizeram dele uma pessoa famosa. Contos estes que habitam o imaginário das pessoas até hoje.  Criou inúmeros personagens: a Pequena Sereia, a Polegarzinha, o Soldadinho de Chumbo, o Patinho Feio e tantos outros protagonistas de histórias maravilhosas, muitas delas adaptadas para o cinema, televisão e teatro. Hans Christian Andersen tem estátuas em vários lugares do mundo, comprovando que o dinamarquês ficou mundialmente conhecido.

Perdão, cometi um erro: a vida de Andersen foi sim um conto de fadas, pois é a vida do menino de vida difícil que ganhou o mundo com sua bela voz de pequeno sereio, o patinho feio que virou cisne, um homem que dançava sem sapatinhos vermelhos, inspirado apenas pelo mundo que o cercava e pela imaginação que o preenchia. Com suas histórias, de finais tristes ou felizes, seremos felizes para sempre.

Você já deve ter ouvido histórias como A Pequena Sereia e O Patinho Feio. São belíssimas histórias que as crianças de muitos tempos ouvem, dormem ao som de suas palavras, e sonham com as aventuras de princesas, príncipes e bruxas más.

Quem criou essas histórias, que chamamos de conto de fadas, foi Hans Christian Andersen. Mas tem uma história dele que é menos conhecida aqui no Brasil do que a Pequena Sereia que queria virar humana para conquistar o coração do príncipe e que o Patinho que se julgava feio quando na verdade era uma maravilhoso cisne.

É a história de Karen, uma menina pobre que perdeu a mãe, e que não tinha o que calçar. Esnobando um par de sapatos de pano, Karen aceitou um lindo par de sapatos de verniz vermelho, dado pela mulher que a criava. Karen queria ser bela como a princesa, e desfilava seus belos sapatos que brilhavam ao sol, pedindo que tirassem o pó que caísse neles. Até que, um dia, na igreja, os sapatos começaram a dançar, sozinhos.

O pesadelo de Karen começou aí: em qualquer lugar, fosse no baile ou num velório, na praça ou no cemitério, os sapatos levavam Karen à força, dançando e remexendo ela inteira. No começo todos admiravam a beleza dos passos, mas depois viram que era um insulto a menina não parar de dançar, mesmo nas situações sérias. E Karen começou a sofrer as dores da vergonha e nas pernas, pois não tinha sossego, pobrezinha. Assim, suplicava o perdão de Deus nas suas orações, entendendo que havia sido mesquinha ao exibir com tanto orgulho os sapatos, esquecendo-se de sua origem humilde.

Até que, cansada de dançar e encontrando-se com um lenhador na floresta, ela pediu que ele cortasse seus pés. E assim ele o fez. E lá se foram os dois pezinhos dançando sozinhos. Triste, não?

Mas a história não termina aqui. Karen colocou, então, duas pernas de pau, e foi trabalhar como faxineira na casa de um casal. Lá ela aprendeu a ser humilde, respeitando a todos. Até que um dia, ela quis tanto ir à igreja que um anjo apareceu e fez um milagre: transformou seu quarto numa linda catedral, onde todos rezavam e cantavam alegremente. E lá no meio de todos estava Karen, que, cheia de alegria e emoção, não suportou tanta graça, e adormeceu nos braços do anjo, indo direto pro céu, sem pausa para dançar.


Sabe a Caverna Negra? Dizem que no fundo dela, mas bem lá no fundo mora um monstro assustador. Ele tem cinco olhos, duas bocas, três narizes e duas orelhas que parecem trombas de elefante. Já imaginou que coisa horrorosa? Credo! Dá medo só de pensar no bicho!

Contam também que esse monstro tem superpoderes. Alguns dizem que é lenda, outros que é verdade. Não podemos saber. Só sei que contam que, se alguém matar o bicho, passa a possuir os seus poderes. Até hoje, todos que se aventuraram a ir até à caverna para derrotá-lo nunca mais voltaram. Você teria coragem de também ir até lá? Eu não teria. Não mesmo!

Certa vez, um leão deitou-se debaixo de uma sombra para descansar. Mal pegou no sono e percebeu que um ratinho andava sobre seu corpo. Conseguindo pegá-lo pelo rabo, abriu a boca para devorá-lo. Porém, vendo-se em perigo, o ratinho começou a suplicar por perdão. O leão nada disse: apenas sorriu e soltou o pequeno, acreditando que fazia um grande favor para o pobre e insignificante bichinho. Algum tempo depois, o leão caiu em uma armadilha, ficando preso em uma rede. Já aceitando seu triste destino, o leão se surpreendeu ao ver o pequeno ratinho roendo os fios da rede, libertando-o antes que os caçadores chegassem. Com o mesmo sorriso de antes o leão agradeceu, percebendo, envergonhado, que o rato retribuiu o favor dado. Aprendeu que mesmo o mais forte tem necessidade do mais fraco.

Fábula de Esopo, recontada por Ricardo Dalai

Tá vendo aquela flor

que se abriu durante a noite

e agora tá tão perfurmada?

Tá vendo as flores todas

coloridas a alegres

pelo parque da cidade?

Tá vendo o menino olhando bobo

para a menina do outro lado

deixando o sorvete cair?

É… é sinal que vem junto com uma flor:

é o amor que trouxe a primavera

ou a primavera que trouxe o amor?