Pequenas reticências…

Archive for Março 2011

Hoje é meu último dia de escola. Depois, vem as férias. O tempo passa rápido. Pensei em ajudar meu pai durante o verão na lanchonete que ele tem. Gosto de ajudá-lo, mas ele só deixa quando estou de férias. No período de aulas ele diz que preciso estudar. Acho isso bem legal da parte dele, porque a escola é muito importante para meu crescimento, vocês sabem…
Como é bom frequentar a escola. A gente aprende muito.
Aprendemos, por exemplo, que as crianças não devem trabalhar fora porque não sobraria muito tempo para estudar, brincar e fazer outras coisas importantes. Meu pai brinca dizendo que minha profissão é ser criança. Ele é comerciante. Minha mãe é dona de casa. Eu sou criança! Brinco, estudo, vejo desenho animado, leio livros de aventuras. Esse é meu emprego.
Mas nem sempre é assim que acontece, e isso é muito triste. Existe no Brasil um grande número de crianças trabalhando para ajudar nas despesas da família. É preciso mudar depressa essa realidade. E procurar conhecer e respeitar os direitos das crianças certamente é uma boa atitude.
Toda crtiança deve brincar bastante, sempre praticar atividades físicas e conviver alegremente com outras crianças. É o que eu acho. E você?
Espero que concorde comigo. Espero que cumpra bem seu trabalho de ser criança como eu faço: brinco, estudo, corro, pratico esporte. Assim, quando chegar a hora de trabalhar como gente grande, não estarei pensando no tempo que eu era mais novo, pois terei aproveitado bem esse período e cumprido bem meu papel de ser criança.

O jovem príncipe Teseu era filho de Egeu, o velho rei de Atenas. O rapaz se sentia muito desgostoso ao ver o pai entristecido com a sina que tinha de cumprir todos os anos: entregar catorze jovens atenienses – sete rapazes e sete moças – para serem devorados pelo Minotauro, um monstro com cabeça de touro e corpo de homem.

Essa tragédia devia-se ao fato de que, alguns anos atrás, Minos, rei de Creta, venceu uma guerra contra Atenas. Desde então, catorze jovens tinham de partir todo ano de Atenas rumo à Creta em um navio que sempre voltava vazio.

Cansado dessas mortes inúteis, Teseu resolveu tomar uma atitude que acabaria com o sofrimento de seu pai e dos atenienses. E assim ele disse:

— Meu pai e meu rei, irei a Creta enfrentar o Minotauro. Eu matarei o monstro e libertarei os atenienses desse sofrimento.

O Minotauro vivia em um lugar chamado Labirinto. O plano do bravo rapaz consistia em tomar o lugar de um dos jovens, entrar no Labirinto e golpear a terrível criatura.

Egeu não achou essa uma boa ideia, mas por fim concordou:

— Então, vá, meu filho. Mas peço que, se você voltar a salvo, troque a vela negra do navio por uma de cor branca. Assim, meus olhos verão o sinal de que você está vivo e meu coração se alegrará o quanto antes.

Assim, ficou combinado. Então, Teseu embarcou para Creta e partiu com os outros jovens.

Ao chegarem ao suntuoso palácio de Cnossos, morada do tirano rei Minos, os jovens foram recebidos por ele e tratados com amabilidade. Contudo, o monarca avisou que se preparassem, pois logo mais, nas primeiras horas do dia seguinte, entrariam no covil do Minotauro.

Teseu passou a noite tentando manter seus companheiros tranquilos. De repente, os guardas anunciaram ao príncipe ateniense que alguém desejava falar com ele. O rapaz ficou surpreso ao ver entrar em sua cela uma esplendorosa moça.

Sem perder tempo, a moça lhe disse:

— Meu nome é Ariadne e sou filha do rei Minos. Assim que o vi, pude sentir que você veio determinado a matar o Minotauro e acabar com essa carnificina que meu pai insiste em perpetuar. Porém, se você conseguir realizar essa proeza, nunca vai conseguir sair do Labirinto, pois seus corredores são sinuosos e confusos. Ninguém é capaz de encontrar a saída.

Teseu pensou um pouco e concluir que Ariadne tinha razão. Ele não havia pensando nesse problema!

Percebendo a aflição do rapaz, Ariadne disse:

— Fiquei interessada em você tão logo o vi. Por isso, estou disposta a ajudá-lo com uma condição: ao sair vitorioso do Labirinto, você me leva para Atenas para nos casarmos.

Teseu deu sua palavra a Ariadne de que faria tal qual ela propôs.

No dia seguinte, na entrada do Labirinto, lá estava a filha de Minos. Ela deu ao herói um novelo de um fio mágico e também uma espada, com a qual deveria dar cabo da fera.

Guiados por Teseu, que os encorajou a prosseguir, os infelizes jovens penetraram naquele lugar sinistro. O bravo rapaz vai à frente, desenrolando o fio do novelo, tendo o cuidado de prender a ponta na soleira da porta de entrada.

Não demorou muito para que o grupo, confundido por corredores sempre iguais, ficasse completamente perdido. Teseu levava a espada em punho e, cauteloso, vigiava os mínimos esconderijos do Labirinto.

Ao sentir o cheiro fresco de carne humana, o Minotauro mugiu ferozmente e saltou sobre o rapaz. Mas Teseu estava alerta e, com um golpe certeiro, abateu o monstro.

Enrolando o novelo, ele e seus companheiros conseguiram sair do Labirinto. Na porta, à sua espera, estava Ariadne, que se lançou nos braços do herói e o abraçou, emocionada. Depois disso, Teseu, Ariadne e o grupo de adolescentes seguiram para o porto, rumo à Atenas.

A partir de então, Egeu voltou a ser um rei cujos súditos estavam livres da tirania de Minos. Isso graças à coragem de Teseu e à sabedoria de Ariadne.

Zeus, o deus dos deuses, que comandava os raios e trovões.

Por que o céu é azul? As nuvens não caem, por quê? Por que há trovões, tempestades, chuvas ácidas? O que são as estrelas, as bactérias, os cometas? Por que amanhece e anoitece?

O ser humano sempre se perguntou o porquê das coisas e ainda hoje se pergunta. A única diferença é que hoje existem satélites nos espaços, medidores nos mares, termômetros, telescópios, explicações científicas. Antigamente, porém, o homem valia-se de outra saída para explicar o mundo e o que acontecia nele. Assim nasceram os mitos, que são histórias fantásticas, simbólicas, cheias de heróis e aventuras, que buscam explicar a realidade.

Hoje sabemos: chove porque a água evaporada se condensa nas nuvens e precipita-se; amanhece e anoitece porque a Terra gira em torno de si mesma no movimento de rotação. Mas mesmo assim o ser humano ainda respeita aqueles mitos (veja as constelações no céu, com nomes de deuses e heróis gregos) e cria seus novos mitos em histórias mais modernas, mas com a mesma fantasia de sempre.

A casa dele era uma casa tão bonitinha! Aquelas casas de vila onde moravam várias famílias, sabe? E na rua não passavam carros, e não havia muitos postes, o que permitia que os meninos empinassem pipas nos fins de semana. As meninas, enquanto isso, brincavam de amarelinha ou de casinha ali, bem ali, na calçada. E naquela vila morava Julinho, tão esperto e inteligente, tão querido. Educado, estudioso, comportado. “Olá, Dona Cássia! Bom dia, como vai?”, perguntava quando a vizinha do 567 passava. “Boa tarde, Sr. Artur, como vai a perna?”, indagava quando via o dono da mercearia passar. O homem já de cabelos brancos achava tão bonito o jovem educado estar preocupado com as pernas dele. Ninguém mais se lembrava da queda do Sr. Artur naquele dia de chuva. Mas Julinho lembrava. Ele sempre era muito atencioso.

Porém… Teve uma coisa naquele verão que fez Julinho esquecer a simpatia. Não tiro a razão dele, mas também não dou toda a razão.

Julinho não se conformava com a situação. Seu irmão, chamado César, teria uma festa de aniversário no fim de semana.

Durante alguns dias, Julinho ficou chateado, pois também gostaria de ganhar uma festa. Ele também queria ganhar presentes e ficar rodeado de amigos. A verdade é que o ciúme bateu forte.

Várias pessoas foram convidadas e, durante a semana, todos só comentavam sobre a festança.

No dia marcado, a casa foi enfeitada com balões de todas as cores. O bolo era de chocolate e ocupava o centro da mesa. Ao redor do bolo, havia diferentes tipos de doces: brigadeiro, beijinho, cajuzinho, olho de sogra e balas de coco. Também havia refrigerantes e suco de laranja. Uma beleza de festa!

Julinho se divertiu, comeu e bebeu tanto que nem parecia aquele menino chateado e ciumento de dias atrás. Afinal, ele percebeu que não tinha motivos para sentir ciúmes de seu irmão, pois logo ele também teria a sua festa.

E seria dali duas semanas. Sim, os dois irmãos nasceram no mesmo mês, e logo Julinho teria tudo igual ao irmão.

Entretanto, quando mais chegava perto da data, menos se falava do seu aniversário. Ninguém falava em festa, nem em balões, nem em doces e muito menos em bolo de chocolate. Todos continuavam com suas vidas, trabalhando e estudando. Julinho, então, começou a se sentir mal: andava de cabeça baixa, não cumprimentava mais ninguém, vivia triste.

Até que chegou o grande dia. Julinho foi para a escola, e nada da festa. Julinho chegou na vila, e nada da festa. Julinho entrou na sua casa, e nada da festa. Mas quando chegou na cozinha, procurando sua mãe, Julinho teve uma grande surpresa: todos da vila estavam ali, amontoados em volta da mesa, que estava cheia de doces e salgadinhos. Balões escondiam todo o teto da cozinha, garrafas de refrigerantes, potes de balas de cocos e uma mesa cheia de presentes de todos. E o que mais importava: todos os seus amigos, do colégio e da vila, ali, presentes, cantando um “Parabéns pra você” que duraria por muito tempo. Para sempre, Julinho sabia.