Pequenas reticências…

Archive for Abril 2014

Era uma vez uma linda princesa de cabelos escuros e brilhantes. Seu pai, um poderoso rei, a protegia de todos os perigos. Entretanto, em uma noite fria, o rei estava fora do reino. Um dragão terrível se aproveitou de sua ausência e raptou a inocente princesa.
Dias depois, todos no reino estavam aflitos sem notícias, foi quando um príncipe valente e belíssimo ficou sabendo do ocorrido e decidiu salvar a princesa.

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E foi isso mesmo que ele fez: encontrou-os em uma caverna escura e trouxe a princesa de volta. O mais incrível é que ele conseguiu isso sem qualquer tipo de violência: apenas disse ao dragão que devorar princesas era feio e mal-educado, convencendo a terrível fera a se tornar vegetariana.

Recontado por Marcia Paganini

Há muito tempo, em uma floresta muito bonita, morava uma cabra com seus sete cabritinhos.

Longe de tudo, ela precisava atravessar a floresta para buscar comida, deixando os pequenos sozinhos. Chamava, então, os filhos e aconselhava-os que tomassem muito cuidado com o esperto lobo, pois ele era capaz de tudo para conseguir entrar na casa e devorá-los.

— Para reconhecê-lo — dizia a mãe cabra —, basta observar suas patas escuras e ouvir sua voz rouca.

Certo dia, a cabra precisou sair, e os cabritinhos disseram que tomariam cuidado. Instantes depois, alguém bateu na porta e disse com voz rouca:

— Abram, meus queridos, é a mamãe. Trago um presente para vocês.

Reconhecendo a voz rouca, os cabritinhos responderam:

— Não vamos abrir! Não tem a voz meiga de nossa mãe. Você é o lobo!

E o lobo foi embora. Apanhou um favo de mel e o engoliu, a fim de suavizar a voz. Voltou para a casa dos cabritinhos e bateu à porta.

Dessa vez, os pequenos perceberam que a voz era suave, mas viram, por debaixo da porta, a pata escura do lobo e novamente não o deixaram entrar.

O lobo então, muito esperto, enganou o padeiro, dizendo que sua pata estava machucada. Para amenizar a dor, pediu um pouco de farinha, deixando a pata clara como se fosse de uma mãe cabra. E, mais uma vez, foi à casa dos cabritinhos.

Quando viram a pata branca, os cabritinhos pularam de alívio e abriram a porta, pensando que era sua mãe. Mas quem entrou com tudo na casa foi o lobo.

Assustados, eles correram e se esconderam pela casa.

O lobo foi encontrando um a um e engolindo-os inteiros. Só um conseguiu fugir: o menorzinho, o caçula, que se escondeu dentro do relógio.

Saciado, o lobo deitou sob a sombra de uma árvore a adormeceu.

Quando a mãe cabra voltou, viu a porta aberta e a bagunça na casa. Chamou pelos filhos, mas não teve resposta. De repente, ouviu um gritinho:

— Mamãe, estou dentro do relógio!

Apressadamente ela o retirou de lá, e ficou sabendo de todo o ocorrido.

A mãe cabra saiu desesperada em busca de ajuda e viu o lobo roncando debaixo de uma árvore. Já ia se afastando dele quando percebeu que sua barriga se mexia.

“Eles estão vivos!”, pensou.

Então, a mãe cabra teve uma ideia: pediu ao filhote caçula que buscasse tesoura, linha e agulha em casa.

Assim, ela abriu a barriga do lobo e retirou os cabritinhos um a um. Logo depois, pediu aos cabritinhos que procurassem pedras grandes e pequenas, colocou-as na barriga do lobo e a costurou com linha e agulha.

Quando acordou, o lobo estava com uma sede danada. Ao se inclinar no poço para saciar-se, desequilibrou-se com o peso das pedras e caiu sem chance de se segurar. E lá no fundo ficou.

Sem o perigo do lobo, a mãe cabra e os sete cabritinhos puderam viver felizes e sem preocupações.

 

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A gente lê e conta um monte de textos dele e nem lembramos de explicar quem foi esse homem. ChPerrault

Charles Perrault nasceu em Paris, no dia 12 de janeiro de 1628 (pois é, faz tempo!). Ele foi escritor e poeta, mas sua maior proeza é ter criado uma nova forma de escrever contos de fadas. Isso mesmo! Esses contos que hoje vemos em desenhos e animações, em HQs e que recontamos aqui. Por isso ele é chamado de “Pai da Literatura Infantil”. Fofo, né?
Entre suas histórias mais conhecidas, estão Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, O Gato de Botas (que postamos recentemente aqui), Cinderela, O Barba Azul e O Pequeno Polegar.

Perraulto morreu em Paris também, no dia 16 de maio de 1703.  Entretanto, suas histórias ainda são recontadas e publicadas, mostrando como a sua obra é eterna. Para sempre as pessoas saberão que existiu uma menina de gorro vermelho andando pela floresta, ou uma mocinha que dormir durante cem anos. Seus textos para sempre farão as crianças do mundo todo sonhar… E os adultos também.

É… Perrault fez um ótimo trabalho. Obrigado por isso!

botas-infantil-6Tinha uma vez um moleiro que deixou uma pobre herança a ser dividida entre os três filhos. Para o mais velho, tocou um moinho, o segundo teve por direito um asno, e, para o caçula, coube apenas um gato. Esse filho, ao receber algo que não lhe tinha serventia, ficou muito aborrecido e resmungou:
— Meus irmãos poderão trabalhar juntos e ganhar a vida. Mas um gato serve-me de quê, a não ser fazer dele um bom ensopado para o jantar?

O gato, que era um bicho muito esperto, ao escutar a queixa do novo dono, temeu pela própria vida e disse-lhe com ensaiada mansidão:
— Não se aflija, meu amo! Basta que me dê um saco e um par de botas para que eu possa andar pelo mato, e verá que posso lhe ser útil.
Surpreso por ouvir um gato falando, o rapaz não tinha outra escolha senão dar-lhe um pouco de confiança.
Ao receber o que pedira, o gato calçou as botas, meteu no saco umas alfaces e partiu para um bosque onde havia muitos coelhos. Lá chegando, esticou-se como se estivesse morto e esperou que algum desses bichos viesse cair na sua armadilha.
Assim que um desavisado coelho entrou no saco para comer alfaces, o gato o prendeu. De posse do animal, o gato dirigiu-se ao castelo do rei para dar prosseguimento a seu plano. Chegando lá, adentrou-se no salão real, fez uma profunda reverência e disse:
— Trago comigo um fresco coelho, capturado na floresta. É um presente de meu amo a Vossa Majestade.
— E quem é o seu amo? — perguntou o rei.
— O Marquês de Carabá — inventou o gato.
— Diga ao seu amo que mando agradecer tão apetitoso presente.
Dias depois, o gato fez o mesmo em um campo de trigo. Quando duas perdizes se enfiaram no saco, capturou-as. Em seguida, foi dá-las de presente ao rei, como fizera com o coelho. E mais uma vez o rei recebeu o mimo com prazer e agradeceu.
Assim, por dois ou três meses, o gato continuou a levar ao rei, vez ou outra, uma caça em nome de seu amo: o Marquês de Carabá, que, a essa altura, já era famoso no castelo real.
Um dia, sabendo que o rei passearia pela margem do rio com sua filha, a princesa mais bela do mundo, o gato disse a seu amo para se banhar no rio só de ceroulas. O rapaz achou aquilo bem estranho, mas, ainda confiando no gato, fez o que o bicho lhe aconselhava. Enquanto se banhava, o rei passou por ali e o gato pôs-se a gritar:
— Socorro! Socorro! Meu senhor está se afogando!
A esse grito, o rei enfiou a cabeça pela janela da carruagem e, ao reconhecer o gato, ordenou a seus guardas que fossem a toda pressa socorrer o Marquês de Carabá.
Enquanto os guardas tiravam o marquês do rio, o gato se aproximou da carruagem e disse ao rei que, enquanto seu amo se banhava, ladrões tinham roubado suas vestes — na verdade, ele as escondera debaixo de uma pedra.
O rei então ordenou que fossem buscar um traje real para o marquês, a fim de que ele os acompanhasse no passeio. O gato, que seguia na frente, encontrou alguns camponeses que ceifavam num prado e lhes disse:
— Amigos que estão ceifando, se não disserem ao rei que este prado pertence ao Marquês de Carabá, sofrerão um enorme castigo.
De fato, o rei perguntou aos camponeses a quem pertencia o prado.
— Pertence ao senhor Marquês de Carabá — responderam em coro, com medo do castigo.
O gato dizia a mesma coisa a todos que encontrava, deixando o rei pasmo com tanta riqueza que o marquês possuía. Finalmente, aproximaram-se de um belo castelo que pertencia a um ogro, muito rico e muito mal. Todas as terras por onde passaram eram parte de seu domínio. O gato, que sabia sobre o ogro e seus poderes, pediu para ver-lhe, dizendo que nunca mais teria a honra de estar na presença de tão poderosa criatura.
Envaidecido, o ogro o recebeu. O gato continuou a bajulação:
— Disseram-me que você tem o poder de se transformar em qualquer animal, é verdade?
— É verdade — respondeu o ogro bruscamente. — Para lhe provar, vou me transformar num leão.
O gato, apavorado com o leão, foi em um pulo parar no telhado. De lá, disse ao ogro:
— Disseram-me ainda, mas não pude acreditar, que você também tem o dom de tomar a forma dos animais mais pequeninos, como um rato. Confesso que não acreditei. Parece-me impossível.
— Impossível? — replicou o ogro. — Pois veja!
E no mesmo instante se transformou num ratinho. Quando viu isso, o gato deu o bote e o comeu.
Vendo o castelo adiante, o rei quis parar para conhecer quem morava naquela linda construção. Ao ouvir a carruagem se aproximando, o gato correu para frente do castelo e disse ao rei:
— Seja bem-vinda, Vossa Majestade, ao castelo do senhor Marquês de Carabá.
—Também este castelo lhe pertence?! — exclamou o rei, pasmo.
Entraram, então, e se puseram à mesa para comer uma refeição que o ogro havia mandado preparar para si mesmo. O rei, encantado com as qualidades do marquês e vendo as riquezas que possuía, disse-lhe:
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— Você gostaria de receber a mão de minha filha em casamento?
— Se for do agrado da princesa, Majestade — respondeu o rapaz —, ficaria honrado.
Já perdida de amores por um jovem tão bonito, nobre e simpático, a princesa aceitou, e naquele mesmo dia se casaram, passando a viver felizes no castelo.
Quanto ao gato, o marquês o fez seu conselheiro, ganhando grande respeito e honrarias na Corte. Mas, mesmo assim, o esperto Gato de Botas não deixou de correr atrás dos camundongos, agora com uma diferença: para se divertir.

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Recontado por Marcia Paganini* a partir de Charles Perrault.

 

 

*A Marcia já esteve por aqui outras vezes (aqui) e já publicou textos na Revista Nova Escola. Ela adora contar histórias para crianças e adultos. Logo mais ela aparece com mais uma aqui no blog 😉