Pequenas reticências…

Archive for Junho 2014

bailarina (1)

 

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Era uma vez um tempo em que os sonhos e desejos se realizavam como mágica, o mundo era repleto de reis e rainhas que governavam com justiça seus enormes reinos e tinham filhos corajosos e filhas mais lindas que as estrelas.

Certo rei e certa rainha tinham filhas muito belas. A caçula, porém, era a mais bela dentre todas. O reino desse rei ficava próximo a um grande bosque encantado, onde, diziam, viviam ogros enormes, fadas miudinhas e gnomos travessos. Nesse bosque, havia uma lagoa.

Em dias de verão, as princesas brincavam em volta dessa lagoa, pois ali o ar era fresco e puro. A caçula estava sempre com seu brinquedo favorito: uma bolota de ouro maciço, que, quando entendiada, a princesa jogava para o alto e pegava com a mesma mão.

Crédito: Cassia Naomi

Crédito: Cassia Naomi

Certo dia, estava a princesa jogando a bola de ouro para cima, quando um pássaro a assustou, fazendo com que ela deixasse a bolota cair na lagoa. Pobre princesa! Pôs-se logo a chorar pelo ocorrido, pois deu por perdido o seu brinquedo, já que a lagoa era funda e escura. Começou a chorar cada vez mais forte, e mais, e mais, tanto que ninguém era capaz de consolá-la.

De repente, ela ouve uma voz desconhecida:

— O que aconteceu com tão linda princesa?

Quando a princesa buscou o dono da voz, deu de cara com um sapo com a cabeça pra fora da lagoa.

— Ah, senhor sapo. Choro pela minha bolota de ouro que caiu na lagoa.

— Na lagoa? Então não tem porque chorar… Posso te ajudar a recuperá-la. Mas o que ganho com isso?

— O que quiser, querido sapo — respondeu a princesa precipitada. — Minhas joias, meus brinquedos, minha tiara. O que quiser…

Então o sapo, cheio de astúcia, respondeu:

— Não quero suas joias, nem seus brinquedos. E tampouco sua tiara. Quero sua companhia: promete que, se eu trazer sua bola de ouro, brinca todos os dias comigo, me põe para comer ao seu lado na mesa e me deixa comer no seu prato de ouro e dormir na sua cama macia?

— Claro que eu prometo! — disse ela.

Entretanto, quando respondeu a princesa pensou: “Sapo tolo, não sabe que não pode morar comigo em meu castelo!? Não é humano!”.

Mas nem acabou de ter esses pensamentos, a princesa viu o sapo desaparecer na lagoa. Pouco tempo depois, ele retornou com sua bola de ouro na boca, reluzente. A princesa a apanhou e correu para o castelo, pulando de alegria.

Não adiantou o sapo gritar para que ela o esperasse.

No dia seguinte, a princesa acordou e foi tomar seu café da manhã no salão real. Não havia tocado em seu mingau quando ouviu um barulho estranho vindo de fora: splash, ploc, splash, ploc. Quando o barulho parou, ela ouviu uma voz dizendo:

— Princesa, sou eu! O sapo da lagoa a quem você prometeu companhia. Abra a porta, por favor.

A moça se recusava a ir abrir a porta. Percebendo sua reação, o rei perguntou:

— O que é isso?

— Ah, papai — respondeu a princesa. — É um sapo da lagoa do bosque. Ele me ajudou ontem, recuperando minha bola de ouro, e me fez prometer que eu cuidaria dele. Achei que ele jamais chegaria até aqui. Entretanto… está aí, cobrando a promessa.

Para surpresa dela, o rei ordenou:

— O que se prometeu deve ser cumprido. Abram a porta!

O sapo então entrou, sentou-se ao lado dela na mesa e comeu do seu prato de ouro. A princesa, vendo aquilo, sentiu-se enjoada e não comeu mais nada.

— Estou satisfeito — disse o sapo. — Preciso descansar. O caminho da lagoa até aqui é longo para um sapo do meu tamanho. Por favor, princesa, prepara sua cama macia para mim?

Claro que a princesa recusou, mas o rei logo interveio:

— Não despreze hoje quem te ajudou ontem, minha filha. Vá e prepare a cama para ele.

Com um nojo enorme, a princesa apanhou o sapo e o levou para seu quarto. Arrumou sua cama, colocou o melhor lençou e deitou-se com ele.

O sapo então pediu:

  — Deixe-me deitar em seu travesseiro…

A princesa então se aborreceu. Apanhou o sapo sem nojo e sem medo e o arremessou contra a parede.

Ao cair no chão, o sapo já não era sapo, mas um lindo príncipe que havia sido enfeitiçado por uma bruxa. Apaixonado pela princesa, ele a pediu em casamento.

No dia seguinte, uma belíssima carruagem com dez cavalos veio buscar o príncipe. Guiada por Enrique, o escudeiro do príncipe, ela era toda enfeitada de ouro e pedras preciosas. Enrique era fiel, e havia ficado muito triste quando o seu amo foi amaldiçoado. Tanto que ele colocou, em volta do peito, três faixas de ferro para que, quando suspirasse de tristeza, se lembrasse do motivo.

Quando principe e princesa iam em direção ao novo reino, eles ouviam, ao longo do caminho, ferro se rompendo. Então o príncipe gritou:

— Enrique, a carruagem está se rompendo!

— Não, meu amo — respondeu o escudeiro. — São as faixas de ferro em meu peito, que agora não aguentam tamanha alegria em ver o senhor são e salvo.

Até chegar ao reino, ainda ouviram dois estalos. Mas não se preocuparam: eram as faixas de ferro caindo do peito de Enrique, porque o príncipe estava livre e feliz. E assim foi para todo o sempre.

A-Lenda-do-Paraiso-Terrestre

A Lenda do Paraíso Terrestre, de Daniel Munduruku

Há muito e muito tempo, a tribo da grande nação indígena Kaiapós habitava um mundo sem céu. Por isso, não existia também Sol, nem Lua, nem estrelas, cometas, arco-íris, pássaros. Aqueles habitantes se alimentavam apenas de mandioca e pequenos animais, mas nunca tinham visto, por exemplo, um peixe, pois não havia rios por ali. Tampouco comiam frutas, pois não havia florestas, sequer arbustos e pequenas moitas. Era um mundo vazio.

Um dia, um jovem índio estava caçando quando avistou sua presa: um tatuzinho amendrontado. Percebendo a presença do caçador, o animal fugiu, e quanto mais corria, mais o jovem corria atrás. Sem entender, ele viu que o pequeno tatu crescia a cada passo, se tornando um grande animal que, embora grande, continuava amendrontado.

Cansado de correr, já percebendo a proximidade do caçador, o grande tatu cavou rapidamente a terra seca e escura abaixo deles, abrindo um grande buraco, no qual desapareceu.

À beira da cova, o índio ficou observando para se certificar que o animal fugira mesmo. Não aguentando sua curiosidade, decidiu descer pelo buraco e, com surpresa, percebeu que ao final do caminho havia um ponto luminoso. Sem sinal do tatu, resolveu seguir aquele ponto de luz.

Por muitos anos, aquele jovem índio se lembraria do que viu quando chegou ao final do túnel. Viu aos poucos o ponto de luz se transformar em uma grande abertura, e um novo mundo se revelou: um mundo com um céu tão azul que os olhos acostumados com a escuridão ardiam; e um Sol tão luminoso que o índio temeu se queimar por um instante; e um lindo arco-íris, cujas cores estavam nas penas de algumas aves e nas asas de borboletas que enfeitavam o céu. Uma grande mata crescia nas margens de um grande rio, de onde pulavam peixes de vários tamanhos e cores. Perto dele, alguns animais caminhavam sem medo, como tartarugas, macacos, capivaras e préas.

O jovem índio ficou admirando aquele novo mundo, e notou que o Sol se movia, fugia dele, até desaparecer. A tristeza tomou conta do jovem, que pensou que tudo aquilo havia acabado com o Sol. Mas seu deslumbramento voltou assim que viu surgir no céu uma grande pedra branca, bem redonda e brilhante. Era a Lua que surgia com mais um milhão de estrelas que piscavam, e brilhavam, e iluminavam o céu e a terra. Algumas chegavam bem perto dele, como se fossem pequenos insetos luminosos.

Correndo mais rápido do que nunca, o índiou voltou à aldeia para contar sobre aquele novo mundo. O pajé, homem mais respeitado na tribo, autorizou que todos seguissem aquele caminho aberto pelo tatu. Os índios foram, um a um, descendo por uma longa corda até pisar no chão daquele que seria seu novo lar, o Mundo Novo.

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Sua-Distribuição-Geográfica-e-HabitatEla janta

contente, canta

se faz de santa

e vai dormir

usando uma manta.

Poeminha de Marcia Paganini