Pequenas reticências…

O Príncipe Sapo…

Posted on: 24 de Junho de 2014

Era uma vez um tempo em que os sonhos e desejos se realizavam como mágica, o mundo era repleto de reis e rainhas que governavam com justiça seus enormes reinos e tinham filhos corajosos e filhas mais lindas que as estrelas.

Certo rei e certa rainha tinham filhas muito belas. A caçula, porém, era a mais bela dentre todas. O reino desse rei ficava próximo a um grande bosque encantado, onde, diziam, viviam ogros enormes, fadas miudinhas e gnomos travessos. Nesse bosque, havia uma lagoa.

Em dias de verão, as princesas brincavam em volta dessa lagoa, pois ali o ar era fresco e puro. A caçula estava sempre com seu brinquedo favorito: uma bolota de ouro maciço, que, quando entendiada, a princesa jogava para o alto e pegava com a mesma mão.

Crédito: Cassia Naomi

Crédito: Cassia Naomi

Certo dia, estava a princesa jogando a bola de ouro para cima, quando um pássaro a assustou, fazendo com que ela deixasse a bolota cair na lagoa. Pobre princesa! Pôs-se logo a chorar pelo ocorrido, pois deu por perdido o seu brinquedo, já que a lagoa era funda e escura. Começou a chorar cada vez mais forte, e mais, e mais, tanto que ninguém era capaz de consolá-la.

De repente, ela ouve uma voz desconhecida:

— O que aconteceu com tão linda princesa?

Quando a princesa buscou o dono da voz, deu de cara com um sapo com a cabeça pra fora da lagoa.

— Ah, senhor sapo. Choro pela minha bolota de ouro que caiu na lagoa.

— Na lagoa? Então não tem porque chorar… Posso te ajudar a recuperá-la. Mas o que ganho com isso?

— O que quiser, querido sapo — respondeu a princesa precipitada. — Minhas joias, meus brinquedos, minha tiara. O que quiser…

Então o sapo, cheio de astúcia, respondeu:

— Não quero suas joias, nem seus brinquedos. E tampouco sua tiara. Quero sua companhia: promete que, se eu trazer sua bola de ouro, brinca todos os dias comigo, me põe para comer ao seu lado na mesa e me deixa comer no seu prato de ouro e dormir na sua cama macia?

— Claro que eu prometo! — disse ela.

Entretanto, quando respondeu a princesa pensou: “Sapo tolo, não sabe que não pode morar comigo em meu castelo!? Não é humano!”.

Mas nem acabou de ter esses pensamentos, a princesa viu o sapo desaparecer na lagoa. Pouco tempo depois, ele retornou com sua bola de ouro na boca, reluzente. A princesa a apanhou e correu para o castelo, pulando de alegria.

Não adiantou o sapo gritar para que ela o esperasse.

No dia seguinte, a princesa acordou e foi tomar seu café da manhã no salão real. Não havia tocado em seu mingau quando ouviu um barulho estranho vindo de fora: splash, ploc, splash, ploc. Quando o barulho parou, ela ouviu uma voz dizendo:

— Princesa, sou eu! O sapo da lagoa a quem você prometeu companhia. Abra a porta, por favor.

A moça se recusava a ir abrir a porta. Percebendo sua reação, o rei perguntou:

— O que é isso?

— Ah, papai — respondeu a princesa. — É um sapo da lagoa do bosque. Ele me ajudou ontem, recuperando minha bola de ouro, e me fez prometer que eu cuidaria dele. Achei que ele jamais chegaria até aqui. Entretanto… está aí, cobrando a promessa.

Para surpresa dela, o rei ordenou:

— O que se prometeu deve ser cumprido. Abram a porta!

O sapo então entrou, sentou-se ao lado dela na mesa e comeu do seu prato de ouro. A princesa, vendo aquilo, sentiu-se enjoada e não comeu mais nada.

— Estou satisfeito — disse o sapo. — Preciso descansar. O caminho da lagoa até aqui é longo para um sapo do meu tamanho. Por favor, princesa, prepara sua cama macia para mim?

Claro que a princesa recusou, mas o rei logo interveio:

— Não despreze hoje quem te ajudou ontem, minha filha. Vá e prepare a cama para ele.

Com um nojo enorme, a princesa apanhou o sapo e o levou para seu quarto. Arrumou sua cama, colocou o melhor lençou e deitou-se com ele.

O sapo então pediu:

  — Deixe-me deitar em seu travesseiro…

A princesa então se aborreceu. Apanhou o sapo sem nojo e sem medo e o arremessou contra a parede.

Ao cair no chão, o sapo já não era sapo, mas um lindo príncipe que havia sido enfeitiçado por uma bruxa. Apaixonado pela princesa, ele a pediu em casamento.

No dia seguinte, uma belíssima carruagem com dez cavalos veio buscar o príncipe. Guiada por Enrique, o escudeiro do príncipe, ela era toda enfeitada de ouro e pedras preciosas. Enrique era fiel, e havia ficado muito triste quando o seu amo foi amaldiçoado. Tanto que ele colocou, em volta do peito, três faixas de ferro para que, quando suspirasse de tristeza, se lembrasse do motivo.

Quando principe e princesa iam em direção ao novo reino, eles ouviam, ao longo do caminho, ferro se rompendo. Então o príncipe gritou:

— Enrique, a carruagem está se rompendo!

— Não, meu amo — respondeu o escudeiro. — São as faixas de ferro em meu peito, que agora não aguentam tamanha alegria em ver o senhor são e salvo.

Até chegar ao reino, ainda ouviram dois estalos. Mas não se preocuparam: eram as faixas de ferro caindo do peito de Enrique, porque o príncipe estava livre e feliz. E assim foi para todo o sempre.

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