Pequenas reticências…

Conto dos irmãos Grimm, recontado por Marcia Paganini

Era uma vez uma grande floresta onde morava um lenhador com sua mulher e seus dois filhos, João, o mais velho, e Maria, a mais nova. A família morava em uma pobre cabana, cercada de velhas árvores e sem nenhuma vaca para dar leite ou galinha para dar ovos.  A mulher, para não ter de dividir a pouca comida com as crianças, pediu uma noite ao marido:

— Leve Maria e João amanhã para a floresta e dê um pedaço de pão a cada um deles. Deixe-os lá, onde quem sabe alguém possa encontrá-los e dar uma vida melhor que essa para eles.

O marido ficou indignado com isso, e disse que não iria entregar os filhos à própria sorte, temendo que eles fossem devorados por algum animal selvagem. Mas a mulher insistiu:

— Se não o fizer, vamos todos morrer de fome.

Tanto insistiu que o homem acabou obedecendo.

Entretanto, as crianças, que não conseguiam dormir por causa da fome, ouviram tudo. Maria começou a chorar e João a acalmou, dizendo que tinha um plano. E realmente tinha: foi lá fora, onde a lua brilhava linda como diamante, e pegou dezenas de pedrinhas brancas que ficavam visíveis à noite.

No dia seguinte, o pai os acordou cedo, deu um pão para um e os levou para o lugar mais fundo da floresta. Chegando lá, fez uma fogueira e disse que pegaria mais lenha. Porém, não voltou.

Maria começou a chorar mais uma vez e João a acalmou mostrando o caminho por onde vieram:

— Veja, Maria. As pedrinhas: elas brilharão com o luar e voltaremos para casa!

Assim que anoiteceu, os dois foram seguindo o rastro até chegarem à pobre cabana. O pai e a madrasta ficaram surpresos: como eles haviam conseguido! A madrasta não desistiu:

— Leve-os amanhã mais longe. Você deve tê-los deixado perto demais.

João, ouvindo mais uma vez a conversa, teve outro plano: pegaria um pão e faria um rastro novamente. E foi assim mesmo que aconteceu: enquanto o pai levava os dois para o fundo da floresta, João deixava migalhas de pão para marcar a trilha.

Abandonados pelo pai, João e Maria começaram a procurar a trilha de pão, mas para o azar deles alguns passarinhos haviam comido todos os pedacinhos, não sobrando nenhum.

A pobre Maria chorava desesperada agora, sabendo o que os esperava. João, então, decidiu começar a procurar a trilha ele mesmo. Andaram, e andaram, e andaram por muito tempo. Não encontraram a pequena cabana dos pais, mas outra, com paredes de chocolate, portas de pão de ló, janelas de vidro feito de açúcar, teto de brigadeiro, tapete de maria-mole e todo enfeitada com balas, jujubas, gominhas e docinhos .

Cansados e com fome, os dois irmãos avançaram sem pensar sobre a casa, começando a devorar tudo que encontravam. Maria abocanhou um pedaço da parede enquanto João se deliciava com um pedaço da janela. Estavam tão ocupados que não perceberam a porta se abrindo e uma velhinha saindo de dentro da casa.photo-1

— Nham, nham, ora, ora, quem minha casa devora? — perguntou com voz melosa a velha.

As duas crianças pediram desculpas, mas explicaram a situação. A velhinha disse que estava tudo bem, mas que, se quisessem, poderiam entrar e tomar um copo de suco ou um chá. As crianças aceitaram. Lá dentro a casa não era feita de doces, nem tinha vidros brilhantes e limpos e paredes saborosas. Ao contrário: as paredes eram escuras feito fumaça e os vidros quebrados. Não tinha o doce cheiro de chocolate e baunilha, e sim um cheiro podre, de coisa queimando. E a doce velhinha se revelou uma mulher amarga, cheia de cicatrizes, sem os dois olhos e com ar maligno. Era uma bruxa!

As crianças não tiveram nem chance de fugir. A bruxa as agarrou e prendeu cada uma em uma gaiola.

— Você — disse ela apontando pra João. — vai engordar para que eu possa te comer. E você, menina, vai cozinhar, limpar e lavar.

E os dias que se seguiram foram assim: João preso e Maria trabalhando. Tudo que a menina cozinhava, João tinha que comer. E todo o dia a bruxa se aproximava dele e pedia um dedo para ver se ele estava engordando. Com ela não tinha olhos, João estendia um ossinho de galinha. E a bruxa pedia que Maria cozinhasse mais e mais.

Quatro semanas depois, cansada de esperar, a bruxa mandou Maria pegar água para cozinhar João. Ligou o forno e esperou que ele esquentasse.

— Menina! Veja se o forno já está quente — ordenou.

Maria então teve uma ideia e disse:

— Como farei isso? Não sei…

— Menina tola! Veja que só vou ensinar uma vez!

Dizendo isso, a bruxa se inclinou dentro do forno para sentir seu calor. Maria não vacilou: empurrou a bruxa e fechou a porta do forno, passando o ferrolho para que ela não abrisse. Libertou correndo seu irmão, João, que a ajudou a segurar a porta do forno até que os gritos da bruxa parassem.

Como em um passe de mágica, a casa se transformou em uma linda
cabana, repleta de riquezas. Eram pedras preciosas, diamantes, pepitas de ouro, de prata e de bronze. João e Maria então encheram seus bolsos com o que conseguiram e fugiram dali.

Andaram por muito tempo sem rumo, até que, por sorte ou destino, viram ao longe o velho pai cansado trabalhando e a madrasta limpando umas pequenas espigas de milho. Maria não conteve sua alegria e gritou pelo pai, que não acreditou ao ver os filhos voltando. Tanto a esposa como o marido se arrependeram muito do que fizeram com as duas crianças, e desde o abandono suas vidas eram só tristeza.

Após se abraçarem, João tirou do bolso um punhado de jóias.

— Veja, pai!

E contaram toda a história. Todos temeram a bruxa, mas riram e comemoram a vitória do bem. Naquela noite, jantaram com fartura pela primeira vez desde… E foi assim por muito tempo naquela pequena cabana em que viveram felizes. Para sempre.

Era uma vez uma linda princesa de cabelos escuros e brilhantes. Seu pai, um poderoso rei, a protegia de todos os perigos. Entretanto, em uma noite fria, o rei estava fora do reino. Um dragão terrível se aproveitou de sua ausência e raptou a inocente princesa.
Dias depois, todos no reino estavam aflitos sem notícias, foi quando um príncipe valente e belíssimo ficou sabendo do ocorrido e decidiu salvar a princesa.

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E foi isso mesmo que ele fez: encontrou-os em uma caverna escura e trouxe a princesa de volta. O mais incrível é que ele conseguiu isso sem qualquer tipo de violência: apenas disse ao dragão que devorar princesas era feio e mal-educado, convencendo a terrível fera a se tornar vegetariana.

Recontado por Marcia Paganini

Há muito tempo, em uma floresta muito bonita, morava uma cabra com seus sete cabritinhos.

Longe de tudo, ela precisava atravessar a floresta para buscar comida, deixando os pequenos sozinhos. Chamava, então, os filhos e aconselhava-os que tomassem muito cuidado com o esperto lobo, pois ele era capaz de tudo para conseguir entrar na casa e devorá-los.

— Para reconhecê-lo — dizia a mãe cabra —, basta observar suas patas escuras e ouvir sua voz rouca.

Certo dia, a cabra precisou sair, e os cabritinhos disseram que tomariam cuidado. Instantes depois, alguém bateu na porta e disse com voz rouca:

— Abram, meus queridos, é a mamãe. Trago um presente para vocês.

Reconhecendo a voz rouca, os cabritinhos responderam:

— Não vamos abrir! Não tem a voz meiga de nossa mãe. Você é o lobo!

E o lobo foi embora. Apanhou um favo de mel e o engoliu, a fim de suavizar a voz. Voltou para a casa dos cabritinhos e bateu à porta.

Dessa vez, os pequenos perceberam que a voz era suave, mas viram, por debaixo da porta, a pata escura do lobo e novamente não o deixaram entrar.

O lobo então, muito esperto, enganou o padeiro, dizendo que sua pata estava machucada. Para amenizar a dor, pediu um pouco de farinha, deixando a pata clara como se fosse de uma mãe cabra. E, mais uma vez, foi à casa dos cabritinhos.

Quando viram a pata branca, os cabritinhos pularam de alívio e abriram a porta, pensando que era sua mãe. Mas quem entrou com tudo na casa foi o lobo.

Assustados, eles correram e se esconderam pela casa.

O lobo foi encontrando um a um e engolindo-os inteiros. Só um conseguiu fugir: o menorzinho, o caçula, que se escondeu dentro do relógio.

Saciado, o lobo deitou sob a sombra de uma árvore a adormeceu.

Quando a mãe cabra voltou, viu a porta aberta e a bagunça na casa. Chamou pelos filhos, mas não teve resposta. De repente, ouviu um gritinho:

— Mamãe, estou dentro do relógio!

Apressadamente ela o retirou de lá, e ficou sabendo de todo o ocorrido.

A mãe cabra saiu desesperada em busca de ajuda e viu o lobo roncando debaixo de uma árvore. Já ia se afastando dele quando percebeu que sua barriga se mexia.

“Eles estão vivos!”, pensou.

Então, a mãe cabra teve uma ideia: pediu ao filhote caçula que buscasse tesoura, linha e agulha em casa.

Assim, ela abriu a barriga do lobo e retirou os cabritinhos um a um. Logo depois, pediu aos cabritinhos que procurassem pedras grandes e pequenas, colocou-as na barriga do lobo e a costurou com linha e agulha.

Quando acordou, o lobo estava com uma sede danada. Ao se inclinar no poço para saciar-se, desequilibrou-se com o peso das pedras e caiu sem chance de se segurar. E lá no fundo ficou.

Sem o perigo do lobo, a mãe cabra e os sete cabritinhos puderam viver felizes e sem preocupações.

 

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A gente lê e conta um monte de textos dele e nem lembramos de explicar quem foi esse homem. ChPerrault

Charles Perrault nasceu em Paris, no dia 12 de janeiro de 1628 (pois é, faz tempo!). Ele foi escritor e poeta, mas sua maior proeza é ter criado uma nova forma de escrever contos de fadas. Isso mesmo! Esses contos que hoje vemos em desenhos e animações, em HQs e que recontamos aqui. Por isso ele é chamado de “Pai da Literatura Infantil”. Fofo, né?
Entre suas histórias mais conhecidas, estão Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, O Gato de Botas (que postamos recentemente aqui), Cinderela, O Barba Azul e O Pequeno Polegar.

Perraulto morreu em Paris também, no dia 16 de maio de 1703.  Entretanto, suas histórias ainda são recontadas e publicadas, mostrando como a sua obra é eterna. Para sempre as pessoas saberão que existiu uma menina de gorro vermelho andando pela floresta, ou uma mocinha que dormir durante cem anos. Seus textos para sempre farão as crianças do mundo todo sonhar… E os adultos também.

É… Perrault fez um ótimo trabalho. Obrigado por isso!

botas-infantil-6Tinha uma vez um moleiro que deixou uma pobre herança a ser dividida entre os três filhos. Para o mais velho, tocou um moinho, o segundo teve por direito um asno, e, para o caçula, coube apenas um gato. Esse filho, ao receber algo que não lhe tinha serventia, ficou muito aborrecido e resmungou:
— Meus irmãos poderão trabalhar juntos e ganhar a vida. Mas um gato serve-me de quê, a não ser fazer dele um bom ensopado para o jantar?

O gato, que era um bicho muito esperto, ao escutar a queixa do novo dono, temeu pela própria vida e disse-lhe com ensaiada mansidão:
— Não se aflija, meu amo! Basta que me dê um saco e um par de botas para que eu possa andar pelo mato, e verá que posso lhe ser útil.
Surpreso por ouvir um gato falando, o rapaz não tinha outra escolha senão dar-lhe um pouco de confiança.
Ao receber o que pedira, o gato calçou as botas, meteu no saco umas alfaces e partiu para um bosque onde havia muitos coelhos. Lá chegando, esticou-se como se estivesse morto e esperou que algum desses bichos viesse cair na sua armadilha.
Assim que um desavisado coelho entrou no saco para comer alfaces, o gato o prendeu. De posse do animal, o gato dirigiu-se ao castelo do rei para dar prosseguimento a seu plano. Chegando lá, adentrou-se no salão real, fez uma profunda reverência e disse:
— Trago comigo um fresco coelho, capturado na floresta. É um presente de meu amo a Vossa Majestade.
— E quem é o seu amo? — perguntou o rei.
— O Marquês de Carabá — inventou o gato.
— Diga ao seu amo que mando agradecer tão apetitoso presente.
Dias depois, o gato fez o mesmo em um campo de trigo. Quando duas perdizes se enfiaram no saco, capturou-as. Em seguida, foi dá-las de presente ao rei, como fizera com o coelho. E mais uma vez o rei recebeu o mimo com prazer e agradeceu.
Assim, por dois ou três meses, o gato continuou a levar ao rei, vez ou outra, uma caça em nome de seu amo: o Marquês de Carabá, que, a essa altura, já era famoso no castelo real.
Um dia, sabendo que o rei passearia pela margem do rio com sua filha, a princesa mais bela do mundo, o gato disse a seu amo para se banhar no rio só de ceroulas. O rapaz achou aquilo bem estranho, mas, ainda confiando no gato, fez o que o bicho lhe aconselhava. Enquanto se banhava, o rei passou por ali e o gato pôs-se a gritar:
— Socorro! Socorro! Meu senhor está se afogando!
A esse grito, o rei enfiou a cabeça pela janela da carruagem e, ao reconhecer o gato, ordenou a seus guardas que fossem a toda pressa socorrer o Marquês de Carabá.
Enquanto os guardas tiravam o marquês do rio, o gato se aproximou da carruagem e disse ao rei que, enquanto seu amo se banhava, ladrões tinham roubado suas vestes — na verdade, ele as escondera debaixo de uma pedra.
O rei então ordenou que fossem buscar um traje real para o marquês, a fim de que ele os acompanhasse no passeio. O gato, que seguia na frente, encontrou alguns camponeses que ceifavam num prado e lhes disse:
— Amigos que estão ceifando, se não disserem ao rei que este prado pertence ao Marquês de Carabá, sofrerão um enorme castigo.
De fato, o rei perguntou aos camponeses a quem pertencia o prado.
— Pertence ao senhor Marquês de Carabá — responderam em coro, com medo do castigo.
O gato dizia a mesma coisa a todos que encontrava, deixando o rei pasmo com tanta riqueza que o marquês possuía. Finalmente, aproximaram-se de um belo castelo que pertencia a um ogro, muito rico e muito mal. Todas as terras por onde passaram eram parte de seu domínio. O gato, que sabia sobre o ogro e seus poderes, pediu para ver-lhe, dizendo que nunca mais teria a honra de estar na presença de tão poderosa criatura.
Envaidecido, o ogro o recebeu. O gato continuou a bajulação:
— Disseram-me que você tem o poder de se transformar em qualquer animal, é verdade?
— É verdade — respondeu o ogro bruscamente. — Para lhe provar, vou me transformar num leão.
O gato, apavorado com o leão, foi em um pulo parar no telhado. De lá, disse ao ogro:
— Disseram-me ainda, mas não pude acreditar, que você também tem o dom de tomar a forma dos animais mais pequeninos, como um rato. Confesso que não acreditei. Parece-me impossível.
— Impossível? — replicou o ogro. — Pois veja!
E no mesmo instante se transformou num ratinho. Quando viu isso, o gato deu o bote e o comeu.
Vendo o castelo adiante, o rei quis parar para conhecer quem morava naquela linda construção. Ao ouvir a carruagem se aproximando, o gato correu para frente do castelo e disse ao rei:
— Seja bem-vinda, Vossa Majestade, ao castelo do senhor Marquês de Carabá.
—Também este castelo lhe pertence?! — exclamou o rei, pasmo.
Entraram, então, e se puseram à mesa para comer uma refeição que o ogro havia mandado preparar para si mesmo. O rei, encantado com as qualidades do marquês e vendo as riquezas que possuía, disse-lhe:
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— Você gostaria de receber a mão de minha filha em casamento?
— Se for do agrado da princesa, Majestade — respondeu o rapaz —, ficaria honrado.
Já perdida de amores por um jovem tão bonito, nobre e simpático, a princesa aceitou, e naquele mesmo dia se casaram, passando a viver felizes no castelo.
Quanto ao gato, o marquês o fez seu conselheiro, ganhando grande respeito e honrarias na Corte. Mas, mesmo assim, o esperto Gato de Botas não deixou de correr atrás dos camundongos, agora com uma diferença: para se divertir.

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Recontado por Marcia Paganini* a partir de Charles Perrault.

 

 

*A Marcia já esteve por aqui outras vezes (aqui) e já publicou textos na Revista Nova Escola. Ela adora contar histórias para crianças e adultos. Logo mais ela aparece com mais uma aqui no blog 😉

lobo1Certa tarde, um cordeiro bebia calmamente água em um rio quando um lobo apareceu. Rosnando e mostrando suas garras e dentes, começou a reclamar, se aproximando:

— Cordeiro sujo, está poluindo a água que estou bebendo!

— Com todo respeito, não posso sujar sua água: estou mais abaixo do rio que o senhor.

— Isso não vai te livrar de ser castigado — disse o lobo, arrumando outro argumento para abocanhar o pobrezinho. — Há um ano você me xingou lá da outra margem.

— Mas só tenho seis meses! Não posso tê-lo xingado há um ano.

— Então deve ter sido seu irmão! — disse o lobo, se aproximando mais.

— Sou filho único! — gemeu o cordeiro.

Com fome e já cansado daquela conversa toda, o lobo gritou furioso:

— Então foi seu pai, ou sua mãe, ou seu avô, ou qualquer um que pareça com você!

E saltou sobre o cordeiro.

 

Moral da história: Contra a força bruta não há argumento.

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Imagine que você é uma zebra e, como todas as zebras com as quais você vive, tem listas pretas e branca. Porém, você descobre um detalhe que o faz diferente das companheiras. Que detalhe será esse? E como você se sentiria, percebendo-se diferente? Será que ficaria preocupado? Pois foi isso que aconteceu com certa zebrinha que vivia numa savana africana. Mas uma amiga vai ajudá-la a descobrir o lado bom de ser diferente.

A zebrinha preocupada, escrito e ilustrado por Lúcia Reis, editora FTD, é uma história divertida e comovente, que apresenta como as diferenças podem nos aproximar um dos outros.